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‘Tudo vira criadouro’ de mosquitos, diz professora da USP

Maria Anice Sallum, professora do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), responde a três perguntas da reportagem sobre os pernilongos na região do rio Pinheiros, na zona oeste da capital paulista.

1. Vários moradores da zona oeste de São Paulo vêm relatando um número maior de mosquitos neste verão, em comparação com os anos anteriores. Isso é só impressão ou a quantidade pode realmente ter aumentado?

Maria Anice — Pelas imagens que temos visto de mosquitos mortos acumulados em baldes ou tentando entrar pela tela da janela, a quantidade é enorme. Significa que tem muito inseto voando. Isso é comum no verão, mas a temperatura está muito elevada neste ano. Isso encurta o ciclo de vida do mosquito e aumenta a proliferação.

2. O aquecimento global pode estar colaborando?

Maria Anice — Sim, a temperatura média mais alta ajuda bastante. Tivemos quase o ano inteiro quente, com poucas semanas com condições muito frias, inadequadas para o mosquito. Mas também ajuda a oferta de criadouros. O Culex, o pernilongo comum que está sendo mais relatado pelas pessoas, gosta de água acumulada rica em matéria orgânica, como fossas, calha de telhado. Não temos reciclagem adequada e tudo pode virar criadouro.

3. O mosquito pode estar resistente ao fumacê?

Maria Anice — Existe esse problema, mas há também o fato de que nem sempre dá para aplicá-lo. É preciso uma condição ideal. As partículas têm de permanecer suspensas no ar por um período. Se estiver chovendo ou ventando, não vale a pena, porque será jogar produto fora, contaminar o ambiente, sem resultado.

Fonte: R7

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