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Safra 2016/2017: pragas voltam a atormentar os sojicultores

Mal começou a nova safra de soja e as pragas já estão tirando o sono dos agricultores. A falta de chuvas neste começo de plantio em algumas regiões como Mato Grosso, deve contribuir para o alastramento destes males. Na safra passada, lagartas e moscas-brancas trouxeram prejuízos de 10 a 15 sacas por hectare. A dica dos especialistas é investir nos cuidados e monitorar as lavouras.

O município de Diamantino (MT) nem começou a plantar soja ainda. A razão? Falta de chuvas e retrospecto ruim com pragas na safra passada. Segundo o sojicultor Djony Desbessel, no ano passado ele ignorou as recomendações técnicas e plantou logo ao final do vazio sanitário. As chuvas atrasaram e as plantas enfraquecidas não resistiram ao ataque da lagarta-elasmo, que dizimou nada mais, nada menos que 180 hectares com a oleaginosa. “Me arrisquei no ano passado e tive um prejuízo muito grande”, conta Desbessel.

Foto: Embrapa

Lagarta-elasmo – Foto: Embrapa

A ousadia de não se precaver contra a praga custou, além dos 180 hectares perdidos, outras dez sacas por hectare para controlar. Neste ano, nada de plantadeiras em campo sem uma previsão de chuvas adequada. “Não cairei no mesmo erro, vamos esperar para plantar”, garante Desbessel. “Além disso, investi cinco sacas por hectare, em defensivos para me prevenir contra as lagartas.”

Segundo o consultor técnico do projeto Soja Brasil, Áureo Lautmann, a tendência desta lagarta-elasmo é atacar a planta em até 40 dias após a germinação, período que a planta está se formando. “Sem chuvas no começo do ciclo a planta não tem vigor para suportar o ataque de pragas, por isso é importante aliar a precaução do plantio, a prevenção dos defensivos”, comenta ele.

 

Mas, como já dizia o ditado “se ficar o bicho pega e se correr o bicho come”, o atraso do plantio também traz seus riscos e não são pequenos.

A falta de chuvas, agora, deve empurrar o plantio da soja de algumas regiões do Mato Grosso para frente. Isso pode facilitar a proliferação de outra praga com alto potencial de prejuízos, a mosca-branca. Na safra 2015/2016, produtores relataram perdas de até 50% de suas safras com o ataque das moscas. Na fazenda de Lino Ambiel, o revés chegou 12 sacas por hectare. “Em nossa região choveu muito tarde, os plantios foram feitos todos em novembro e a mosca-branca atacou na soja tardia”, conta Ambiel.

Mesmo com a aplicação de produtos na lavoura de soja, para tentar controlar, a mosca voltou a aparecer na safra de feijão deste ano e possivelmente trará mais prejuízos. “Se precisar aplicar defensivos cinco, seis ou até oito vezes na soja, vai ser inviável. Hoje, a soja não está remunerando para essa quantidade de aplicação”, conta o produtor. “O problema é se não controlar direito a perda pode ser maior.”

A situação é tão preocupante que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), a Embrapa e o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea/MT) estudam alternativas para impedir o avanço da mosca branca no estado. “Vimos que a mosca-branca tem se alastrado realmente, tem causado danos no final de ciclos de muitas lavouras. Isso nos preocupa, pois tem aumentado o custo de produção”, afirma Endrigo Dalcin, presidente da Aprosoja-MT.

Uma das alternativas pensadas pelas entidades é a criação de mais um período de vazio sanitário, evitando assim uma ponte verde entre culturas. “O sistema atual faz com que tenha a presença da praga, então temos que criar estratégia para minimizar isso”, relembra Roseli Muniz Giachini, da Aprosoja. “Se tiver que criar um período para evitar essa ponte verde, nós vamos fazer.”

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